DIFERENÇA ENTRE Chelonoidis carbonaria (Geochelone carbonaria) e Chelonoidis denticulata (Geochelone denticulata)

DIFERENÇA ENTRE Chelonoidis carbonaria (Geochelone carbonaria – antigo) e Chelonoidis denticulata (Geochelone denticulata – antigo)

Chelonoidis carbonaria e Chelonoidis denticulata são dois quelônios muito comercializados.

C. denticulata é chamado geralmente de “jabuti-de-pata-amarela” e C. carbonaria de “jabuti-de-pata-vermelha”. Estes nomes populares causam confusão, pois alguns jabutis de patas vermelhas, podem apresentar patas amarelas e vice e versa, ou podem ainda apresentar tons diferentes entre o amarelo e o vermelho. Alguns comerciantes usam tintas para pintar listras para melhor identificação dos jabutis, por isso, nenhum dessas características deve ser usado para identificação.

            Chelonoidis denticulata                          Chelonoidis carbonaria                         

    Chelonoidis denticulata

    Chelonoidis carbonaria

Escudo gular plano até a porção posterior da carapaça. Escudo gular curto da porção posterior da carapaça.
Sutura mediana umeral geralmente mais longa que sutura mediana femoral. Sutura mediana femoral geralmente mais longa que sutura mediana umeral.
      Inguinal bastante insignificante.          Inguinal bastante significante.
Pré-frontais alongadas.  

Pré-frontais pequenas e partidas.

 

Escamas pré-frontais

Escudo central com poucos anéis       Escudo central com vários anéis

Inguinal insignificante                                         Inguinal significante

Escudo gular plano                                                   Escudo gular curto

Algumas características são mais constantes sendo verdadeiras na maioria dos espécimes estudados. Outras características não são tão notadas e vão variar de espécie para  espécie.

C. denticulata é maior que a C. carbonaria. Alguns espécimes alcançam um comprimento de aproximadamente 66 centímetros. A carapaça dos jovens e adultos é marrom claro e uniforme, com o centro de cada escudo amarelo ou marrom claro. No C. denticulata jovem pode-se notar alguns anéis nos escudos da carapaça, mas os espécimes maiores praticamente não os possuem ou são muito pequenos.

Os anéis concêntricos são características muito predominantes da C. carbonaria em espécimes jovens e adultos. No macho adulto C. denticulata parece ter um formato de sino quando visto dorsalmente, tendendo a alargar-se para fora no terço posterior da carapaça na área diretamente acima do intergular. As fêmeas conservam a forma curva dos jovens.

C. carbonaria conserva praticamente a mesma forma durante toda a sua vida, tendo os lados da carapaça bastante paralelos. C. carbonaria não parece alcançar o tamanho da C. denticulata, o espécime adulto é grande e chega a alcançar 48 centímetros de comprimento.

Ambas espécies vivem na mesma extensão da América do Sul e em áreas da floresta com um sombreamento adequado, porque nenhuma das duas parece gostar de aquecer-se ao sol. C. carbonaria parece preferir um habitat escuro, com lama e turvo, como cavernas, mostrando uma tendência a beber mais água e a se molhar mais em cativeiro do que a C. denticulata.

A C. denticulata é encontrada nas seguintes regiões: Sul da Colômbia, Venezuela, Ilha da Trindade, Guiana Inglesa, Suriname, Guiana Francesa, Peru e Brasil, sendo ausente no Paraguai.

A C. carbonaria é encontrada em quase todas as regiões da C. denticulata, mas inclui toda a Colômbia, somente parte Oeste do Peru e Paraguai.

Autor: Alexandre Pessoa, DVM, MSc.

REFERÊNCIAS

CUBAS, S. C.; SILVA, J. C. R.; CATÃO-DIAS, J. L. Tratado de animais selvagens. São Paulo:  Roca, 2007. 1354 p.

Fowler, E. M. Zoo & Wild Animals Medicine. Philadelphia: W. B. Saunders Company; 1986, pp. 533-547.

FOWLER, M. Zoo & Wild Animal Medicine. Londres: W. B. Saunders Company, 1986. 1127 p.

FOWLER, M. Zoo & Wild Animal Medicine.  Londres: W. B. Saunders Company, 1993. 617 p.

FOWLER, M.; MILLER, R. Zoo & Wild Animal Medicine. Londres: W. B. Saunders Company, 2003. 782 p.

FRYE, F. L. Reptile care. An atlas of diseases and treatments. Neptune City, N.J. (USA): TFH Publications, USA, 1991. v. 1.

MADER, D. Reptile Medicine and Surgery. St. Louis, Missouri: Saunders Elsevier, 1996. 512 p.

MADER, D. Reptile Medicine and Surgery. St. Louis, Missouri: Saunders Elsevier, 2006. 1242 p.

Achado em jaguatirica

Fui convidado pelo amigo Dr Vinicius do zoológico de Salvador, para realizar endoscopia digestiva alta em algumas jaguatiricas saudáveis.

Os animais apresentavam-se em excelentes condições, alimentando-se bem, ativas, sem sinais clínicos de qualquer enfermidade infectocontagiosa.

Depois de devidamente anestesiadas e coletados os exames necessários para avaliação completa dos animais (coleta de sangue), iniciamos o procedimento endoscópico.

Os três exames estavam dentro da normalidade, mas para nossa surpresa, um endoparasito gástrico (verme) foi encontrado em uma jaguatirica, sendo removido com auxílio de pinças especiais para endoscopia (siga a seta na figura).

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O endoparasito foi coletado, e será devidamente identificado por profissional competente, para futura vermifugação.

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Durante os procedimentos endoscópicos de rotina, mesmo em animais considerados saudáveis, às vezes somos surpreendidos como foi este caso acima relatado.

Animal Exótico, diminuindo as fronteiras entre homens e animais!

Gastrite em cão idoso…

A demora na solicitação de exames complementares como exames hematológicos, bioquímicos, de imagem (radiografia e ultrassonografia), além da endoscopia, fazem com que muitos casos de vômito crônico não sejam adequadamente tratados.

Percebo que na maioria dos casos, os tratamentos são ineficazes, pois o paciente apresenta doença específica ou avançada, necessitando assim tratamento específico imediato!

A imagem abaixo mostra justamente isso, um cão idoso com vômitos crônicos, onde o tratamento não era específico, agravando o caso.

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Após o exame endoscópico, o paciente foi adequadamente medicado, com melhora sensível dos sinais clínicos 😉

Animal Exótico, diminuindo as fronteiras entre homens e animais!

Mais um ótimo dia…

Após algumas consultas, no período noturno recebí um chamado da Dra Bruna (ZN), pois suspeitava que um Yorkshire havia ingerido um corpo estranho.

A paciente minúscula e queridíssima, apresentava engasgos e vômitos há 1 dia.

Após anestesia geral com anestesista renomado (Dr. Tiago), iniciamos a EDA (endoscopia digestiva alta). Na porção final do esôfago, encontrei um corpo estranho de coloração clara, como se fosse uma parte daqueles ossinhos sintéticos vendidos para cães.

Já havia algumas lesões traumáticas no esôfago causadas pelo corpo estranho, o qual foi retirado endoscopicamente após algumas tentativas.

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Todos felizes proprietários, paciente, e equipe médica, mais um trabalho bem feito!

A recuperação imediata do paciente é o fator mais importante ao optarmos por endoscopia (procedimento minimamente invasivo), ao invés da cirurgia. Não há cortes, suturas, etc. Todos deveriam utilizar mais esta excelente ferramenta  😉

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Quando levar meu animal ao médico veterinário?

Para nós médicos veterinários a resposta esta na ponta da língua, mas para muitos proprietários o assunto se torna um dilema.

As aves “fingem” estar bem, isso devido a evolução. Se imagine como uma ave doente em grupo de 10 aves hígidas. Chega um gavião bem perto do grupo avaliando o indivíduo (você) menos apto à fuga. Então você, mesmo muito doente, fica firme e forte no galho “fingindo” estar bem, entendeu? Se o gavião percebesse que era fraca, seria devorado. Lembre desta dica: se há alteração de comportamento, deve levá-la ao doctor!

amaz

Os répteis são mais tranquilos, ficam ali só de boa, então a melhor forma para você avaliar sua condição,  é se comem ou não. Os médicos veterinários especializados, conhecem as espécies e realizam exames específicos, chegando a conclusão diagnóstica.

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Nossos pequenos roedores ficam em suas gaiolas, e poucos são manuseados diariamente. Quando você percebe que ele está muito quietinho, poderá ser tarde ;-(. Observe diariamente se comeram, beberam, se as fezes e urina estão normais, em caso de alteração, consulta!

Com os coelhos é mais fácil, pois geralmente são criados como cães, e realmente são inteligentes e ótimos animais de estimação. Observe também as fezes, urina e se comeram ou não 😉

Os ferrets muitas vezes são encontrados prostrados. Neste caso é fácil verificar que se trata de uma urgência ou emergência, mas o emagrecimento crônico, perda dos movimentos, alterações na pelagem, são sinais de doença. Não espere que a natureza o cure, leve-o ao médico veterinário, para que um diagnóstico seja obtido e tratamento instituído.

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