Medicina de aves

O número de pessoas que adotam as aves como animais de estimação cresce a cada dia, uma vez que as mesmas necessitam de um pequeno espaço físico para viver, além da praticidade do seu manejo.

Este grande mercado de aves, quer ele seja legalizado ou ilegal, vindo de criadores autorizados e legalizados ou tráfico, necessita de uma série de profissionais qualificados ou  ´´especializados“ que propiciem o bem estar animal. Infelizmente a minoria da população sabe que dentro da medicina veterinária este aprimoramento existe, e abrange a área de animais silvestres. Os profissionais são aperfeiçoados a partir de cursos fornecidos pelas faculdades e de cursos extracurriculares.

Quando agendo uma consulta, informo sempre ao proprietário que a gaiola não deve ser limpa antes da visita. Os excrementos das aves são meios complementares de diagnóstico e podem ser coletados por até 24 a 48 horas antes da data da consulta. O jornal com os excrementos devem ser acondicionados em um saco plástico (Ziploc). Antes do transporte da ave para o consultório, a água deve ser retirada e também os poleiros, os balanços e os brinquedos se a ave estiver fraca ou severamente doente. A gaiola deve ser coberta proporcionando um aquecimento e aliviando o estresse. O proprietário sempre deve estar atento aos hábitos diários de seu animal, pois o médico veterinário irá “bombardeá-lo´´ com muitas perguntas para chegar o mais próximo possível do diagnóstico. Os assuntos mais abordados são: capacidade de vôo, exposição à luz solar natural, alterações no ambiente, acesso a toxinas (chumbo, zinco, plantas tóxicas, inseticidas), traumatismo, umidade ambiental, estresse dentre outras.

A medicina em aves ornamentais e silvestres difere em muitos aspectos da de pequenos animais. O médico veterinário deve estar apto a avaliar uma gaiola e o seu conteúdo, os excrementos macroscopicamente e microscopicamente, observar a ave na gaiola (frequência respiratória, higidez), realizar uma captura o menos estressante possível com posterior contenção.

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O exame físico compreenderá peso (dentro da normalidade), olhos (limpos, simétricos e centralizados na órbita), seios (infra-orbitário), narinas e ceroma (estrutura saliente na base do bico superior), bico (supercrescimento, inchaços, sulcos ou necrose), orofaringe (coana e tônus do maxilar), cabeça (anormalidades da pele e penas), ouvidos (eritema, sangue e descargas), papo (os tucanos e corujas não o possuem!), esôfago, traquéia, musculatura, pele e penas, abdômen, ânus e cloaca, asas, pés e pernas (crostas, prurido) anilha (sem ferimentos na pata), cauda e glândula uropigial (inchaço, eritema, ulceração e ruptura) e estado de hidratação.

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Os testes diagnósticos são de extrema importância para diagnosticar ou descartar doença nas aves. A determinação de um diagnóstico através de um teste diagnóstico permite um tratamento correto imediato da doença. Os diagnósticos presumidos podem levar a um retardo do tratamento ou mesmo a morte. Pode-se suspeitar de um diagnóstico e se começar um tratamento aguardando os resultados dos testes diagnósticos, mas deve-se utilizar sempre o teste diagnóstico para determinar um diagnóstico definitivo em todos os casos em que o proprietário (você) permitir.

Por todos estes fatores acima descritos, a “especialização“ em silvestres é de suma importância, para que cada vez mais possamos entender melhor os hábitos e as enfermidades destes amiguinhos tão interessantes.

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