Abordagem clínica a diarréia em ferrets

Diferentemente do que ocorre em cães e gatos, os ferrets não são frequentemente acometidos por endoparasitos.

A suspeita clínica deve ocorrer em animais que apresentem diarréia ou alteração da consistência das fezes. Um exame protoparasitológico de fezes deve ser realizado com suas respectivas repetições.

Tenho observado que a casuística de nematódeos é quase nula, diferentemente das coccidioses e giardíases que são mais frequentes. A coccidiose pode ser subclínica ou estar associada com diarréia, letargia, e desidratação. Pode ocorrer prolapso retal em alguns casos.

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Criptosporidiose tem sido descrita em ferrets, mas sem sinais de “doença´´.

A salmonelose é uma doença contagiosa caracterizada por febre, diarréia sanguinolenta, e letargia. Conjuntivite e anemia também podem estar presentes. Há várias espécies de salmonela as quais podem estar envolvidas. A incidência é baixa em ferrets criados como pet. Um cuidado especial deve ser dado aos alimentos mal cozidos (frango, carne, dentre outros). O tratamento deve ser agressivo com a utilização de antibióticos, fluidoterapia intensiva, e tratamento de choque em alguns casos.

A título de conhecimento, Mycobacterium bovis e M. avium têm infectado ferrets tanto naturalmente pela ingestão de alimento cru (carne) quanto experimentalmente na Inglaterra, Europa, e Nova Zelândia. Um caso descrito revelava história crônica de perda de peso, diarréia, e vômito sem resposta a terapia instituída. Após exames laboratoriais o agente Mycobacterium avium foi isolado. Devido ao potencial zoonótico não é recomendado tratamento.

Campylobacter jejuni é uma bactéria entérica patogênica que está associada à diarréia e enterocolite em humanos e em muitos animais incluindo cães, gatos, ovelhas, etc. C. jejuni tem sido isolado de fezes de ferrets hígidos. Sua importância como patógeno primário em ferrets não está elucidada.

Diarréia em ferrets jovens podem ter como agente uma infecção por rotavírus. Fazendas de criação de ferrets afetadas por rotavírus tem uma alta morbidade e mortalidade em seu plantel de neonatos entre 2 a 6 semanas. A morbidade é baixa em ferrets adultos, mas a infecção pode resultar em uma diarréia verde mucóide. Não há teste diagnóstico antemortem e o tratamento é realizado com fluidoterapia e antibióticos.

Alguns tipos de câncer como o linfossarcoma podem contribuir para diarréia.

Ferrets idosos com falência renal freqüentemente tem diarréia intermitente.

Cinomose é um paramyxovírus altamente contagioso e fatal em ferrets não vacinados. Os sinais clínicos são variáveis, mas freqüentemente incluem diarréia concomitante com secreção nasal e ocular e dermatite. A diarréia pode ser aguda ou intermitente. Não existe tratamento para cinomose em ferrets.

Ferrets acometidos com o vírus da influenza humana têm algumas vezes demonstrado diarréia transitória. O vírus também causa doença do trato respiratório superior associado com tosse, espirros, inapetência, e letargia.

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